segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Um poema de um poeta/cardeal




Aqui fica um belo poema do poeta/cardeal e, quem sabe, de um futuro Papa


Da verdade do amor se meditam 
relatos de viagens confissões 
e sempre excede a vida 
esse segredo que tanto desdém 
guarda de ser dito 
pouco importa em quantas derrotas 
te lançou 
as dores os naufrágios escondidos 
com eles aprendeste a navegação 
dos oceanos gelados 
não se deve explicar demasiado cedo 
atrás das coisas 
o seu brilho cresce 
sem rumor 

José Tolentino Mendonça, em Baldios

terça-feira, 2 de julho de 2019

Agostinho, outra vez


Da razão (agostiniana) de todos sermos UM

Na principal apreciação de Fernando Pessoa sobre o Infante D Henrique, o português pioneiro da globalização, escreveu que “Deus quis que a terra fosse toda uma,/ Que o mar unisse, já não separasse” e fez questão que os executores desse trabalho fossem os ignorantes marinheiros portugueses. Depois deles “Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.” Contudo falta, ainda, “cumprir-se Portugal”. Em tempos recentes Agostinho da Silva quis actualizar este desiderato, alargando o conceito de Portugal e transformando-o pela colaboração de todas as partes do império num espaço de verdadeiro ecumenismo universal. Sem povo não há renovação da humanidade e sem o simbolismo da criança como imperador do mundo como descrito no Culto Popular do Espírito Santo não há verdadeiro universalismo. Ora o espaço dos PALOP é por essência universalista e ecuménico, pois todo o povo da língua portuguesa, nas palavras de Agostinho da Silva, é “candidato a entender o mundo na sua plenitude, e a fazer o possível por não se meterem em tarefas que os não divirtam” (entrev. a Carlos Vaz Marques, Fev. 1990).
No tempo em que os Impérios acabaram e que jamais haverá condições de criar outros semelhantes, como falar então de um espaço alargado de língua portuguesa sem reminiscências da velha tradição imperial? Uma das formas, talvez a mais interessante, é construir o Império da língua portuguesa assente em fundamentos estéticos que Agostinho da Silva plasmou primeiramente na simbologia do Espírito Santo ligado de forma particular a Portugal, mas que se encontra espalhada um pouco por todo o mundo. Assim, as novas relações entre os PALOP deverão, mais que económicas, ser culturais. A economia será subsidiária da cultura ao inverso do que hoje, tal como no passado, acontece. Na época medieval, quer os Estados, quer a Igreja, que quase sempre se confundiam, mantinham uniões através da força, submetiam os mais fracos ao poder dos mais fortes, mas a Idade Média, pelo forte pender estético e místico em que se encontrava submersa, fornece a Agostinho uma ambiência de fraternidade universal que nunca mais se repetiu.
A miscigenação era vista por Agostinho da Silva como um suporte da universalidade tão apregoada mas sempre tão afastada do quotidiano dos povos. Com ela procedeu-se à complementaridade de culturas por uma espécie de laços de sangue que aumentaram as capacidades humanas em prol do bem comum. O Brasil no espaço dos PALOP é onde a miscigenação mais influência teve no aparecimento de uma nova maneira de ser Português e Universal. O Brasil fornecia a Agostinho um bom modelo de futuro aos PALOP e ao mundo por aí se ter criado uma comunidade fundada “Na convivência humana […] na fraternidade e não sobre a lei, sobre a liturgia e não sobre a conquista, sobre o predomínio da vontade de deus e não sobre o predomínio da vontade do homem” (Agostinho da Silva, A cultura brasileira).
A criança era para Agostinho o melhor que o mundo tinha e a poesia mais pura teria de servir as características que distinguem a infância. Desta forma, todos os indivíduos em qualquer idade têm o dever de voltar a ser crianças, de orientar a sua vida pelo gratuito, em liberdade plena. O mundo e a vida é marcada pelo imprevisível e por isso todos nós temos que orientar as nossas energias para aquilo que ainda não existe. O dever de todo o homem é “ser um poeta à solta” com a capacidade sempre actuante de sobrepor a imaginação à razão, onde o Ser passe a prevalecer sobre o ter. Contudo, realisticamente, o individuo só pode ser poeta e andar por aí à solta quando tiver resolvido, na organização social, o problema da fome, o problema da saúde, o problema da higiene e da habitação, o problema do trabalho. Só depois de cumpridos estes desideratos, cada um, em consciência, pode renunciar àquilo que à partida já possui, e não o inverso.
Viver de forma autêntica é viver livre das escolhas do ter. Aquilo que é básico para a vida, saúde, habitação, educação, trabalho… tem de estar garantido, uma vez que os indivíduos, todos e qualquer um, de forma consciente não pediram para nascer, nem pediram para partilhar uma situação desfavorável em detrimento de uma favorável. A vida é gratuita e por isso não se justifica passar o tempo a trabalhar para “pagar” algo que não “encomendamos”. Mais que pensar e racionalizar é preciso transformar, não pela força, mas pela imaginação, aquilo a que chamamos mundo. A componente estética da existência passa assim a ter um papel capital na nova ordem mundial. A felicidade dos indivíduos cada vez se deve ligar mais ao seu empenho criativo do que à sua organização racional. A razão é importante, sem dúvida, mas só a criatividade nos pode “salvar”. Só a criatividade deixa o indivíduo mais perto daquilo que realmente é. Só pela criatividade nos aproximaremos da unidade. Contudo, a criatividade que assim se apresenta não é individualista nem interesseira. Fazer o que mais gostamos é a única obrigação de cada um e cada qual terá nessa meta a dimensão do mundo todo, tal como prescrevia, em forma poética Agostinho da Silva:
“De força a vida te muna
 para um humilde assumir
de alegria trina e una
de ser, saber e servir”.
Artur Manso

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

DESCONGELAR PARA ENREGELAR



POIS É... DESCONGELAR SIM... MAS SÓ PARA ALGUNS (AMIGOS)
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Que país é este que procede a todos os atropelos às classes profissionais, com os aficionados da sua defesa quedos e mudos. Há quatro anos tudo ia voltar ao início da troika. Zero cortes, zero constrangimentos... para tudo e todos. com a reposição foi o que se viu... a demora foi cerca de 3 anos... com os descongelamentos é o que se vê. Que jeito masoquistas do cidadão português!!! bate-me que eu gosto!
três anos para a frente, tudo calado, descongelamentos para uma mão cheio de amigos... políticos, partidos, autarquias... e uma ou outra classe... as pequenas. os outros têm promessas, para calar os que aprovam as leis e nada mais. Os professores são muitos, os médicos, enfermeiros e técnicos de saúde também... as forças de segurança... esperam até sempre... descongelamento só para os chefes... não há-de morrer ninguém... e se morrer não lhes será próximo.
é neste socialismo que vivemos. socialistas juntos a lixar o povo... todo o povo. Quem diria...
A justiça e a equidade supõem não é que tudo volte ao início, mas sim que todos em cada classe tenham igual tratamento. é isso que é a equidade e não arranjar critérios manhosos para fingir dar tudo a todos, quando só dois ou três acabam por beneficiar. E o mais escandaloso é que os próprios profissionais em cada carreira parece que não se importam que seja assim... talvez pensem como há meio século atrás: um a um, todos hão-de chegar ao topo. Mas não é assim. Uns poucos vivem à grande e à francesa, à custa do trabalho dos seus colegas que não só trabalham muito mais que eles, como ganham muitíssimo menos. 
Em Portugal ninguém conhece a palavra reforma, excepto a que se refere a aposentadoria. e é só o início... Os socialistas alargados acabaram de dar um novo significado ao slogan Todos diferentes, todos iguais... somos iguais para trabalhar  e diferentes para receber... coisa bonita! estes senhores inventaram cidadãos de várias qualidades: para os bancos em uma semana arranjam-se milhões de euros, para as vítimas da incúria do estado, como os incêndios, depende de onde arde, a quem arde e se é possível descativar meia dúzia de tostões... Repito: não estamos a ser governados nem por liberais nem por neoliberais, mas sim pelos puros socialistas com a benção de comunistas ortodoxos e radicais - e pelos vistos nas suas fileiras não falta quem saiba fazer excelentes e milionários negócios que tão criticados são aos liberais... bem prega frei Tomás...
Portugal é o país onde tudo pode acontecer e o povo continuar orgulhoso de políticos habilidosos e incompetentes. É afinal o preço da democracia e do masoquismo dos portugueses.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Isto é mais que vergonhoso


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Como é possível que sócios de um clube ataquem com esta brutalidade os seus atletas? o futebol são onze contra onze e o resultado final pode ser vitória, empate ou derrota. perder um campeonato numa semana, num dia ou em 30 segundos é a mesma coisa. mas pensar sempre que os nossos clubes são melhores que os adversários é presunção injustificada. neste caso a equipa até estava bem posicionada para vencer o maior número de trofeus da época. não tenho nada com este clube, sou benfiquista, fico "chateado" com as derrotas, principalmente nos últimos minutos, algo recorrente no meu clube nos últimos anos. não sou fã do Jesus, mas agrada-me o profissionalismo que demonstra quando as coisas não lhe correm bem. neste capítulo é exemplar. Ao contrário da sobranceria que demonstra quando as coisas lhe correm bem, aí exagera. é verdade que as equipas por vezes, vezes de mais, parecem uma sombra daquilo que poderiam... mas acho que isso nem é culpa do treinador nem dos jogadores. é talvez de a equipa deixar de se entender enquanto tal. Qualquer equipa o que mais quer é ganhar e pensar que não o consegue por desinteresse ou desleixo não corresponde à realidade. a verdade é que como o povo na sua infinita sabedoria nos diz "quando Deus não quer, os santos não podem". não somos apenas nós e os nossos clubes que devem ter o exclusivo das alegrias das vitórias. para já se não fossem os nossos adversários, não teríamos possibilidade de competir. e os nossos adversários têm o mesmo direito que nós a festejar vitórias e a erguer troféus. 


sábado, 3 de fevereiro de 2018

A Propósito do Ranking das Escolas


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Porque é que as Escolas públicas estão tão mal classificadas?
Não é por falta de capacidade dos alunos, não é por menor competência dos professores, não é por deficientes instalações, bem pelo contrário: as escolas portuguesas, neste momento são do melhor eu há em todo o mundo.
Então a que se deve esse afastamento dos lugares cimeiros. Ao mesmo de sempre: ao estatismo da escola e ao centralismo das políticas educativas.
Nada de novo. Eis o que se escrevia em 1871:

“Querido leitor! o modo mais eficaz de seres útil à tua pátria é educares o teu filho. Consagra-te a ele. A educação pública é uma burla atrozmente vergonhosa. Não lhe entregues a criança que o destino te confiou. Educa-o tu. Se não souberes mais, procura pelo menos torná-lo forte, ensina-lhe a ler e a escrever, dá-lhe um ofício e fá-lo um homem de bem; ele de si mesmo se fará um sábio, se tiver de o ser. A ignorância tem isso de bom: que se desfaz aprendendo. A falsa instrução tem esta perfídia: não dá o ensino e inibe de o tomar”.

Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, As farpas 


É só visitar a história passada para compreender o tempo presente.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Da verdade e sua consequência



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Aqui está um texto a meditar num país cada vez mais parecido às quezílias dos socialismos da Primeira República com mais de 100 anos e que os socialismos de mais de quarenta anos de democracia, agora já próximos do final do primeiro quartel do século XXI, insistem em continuar.
Tratar do interesse individual para que o pouco que sobra para nada venha a servir. 
É por isso que os entendidos escreviam o que hoje é cada vez mais uma verdade:

“Querido leitor! o modo mais eficaz de seres útil à tua pátria é educares o teu filho. Consagra-te a ele. A educação pública é uma burla atrozmente vergonhosa. Não lhe entregues a criança que o destino te confiou. Educa-o tu. Se não souberes mais, procura pelo menos torná-lo forte, ensina-lhe a ler e a escrever, dá-lhe um ofício e fá-lo um homem de bem; ele de si mesmo se fará um sábio, se tiver de o ser. A ignorância tem isso de bom: que se desfaz aprendendo. A falsa instrução tem esta perfídia: não dá o ensino e inibe de o tomar”.
Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, As farpas 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Para algo perfeitamente actual


O Sermão da Montanha - (Versão para Educadores)



NEM JESUS AGUENTARIA SER PROFESSOR NOS DIAS DE HOJE...




 O Sermão da Montanha (versão para Educadores)



Naquele tempo, Jesus subiu a um monte, seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele preparava-os para serem os educadores
capazes de transmitir a Boa Nova a gente.
Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:
- Felizes os pobres de espírito, porque deles
é o reino dos céus.
- Felizes os que têm fome e sede de justiça,
porque serão saciados.
- Felizes os misericordiosos, porque eles...?
Pedro interrompeu-o:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
André perguntou:
- É para copiar?
Filipe lamentou-se:
- Esqueci o meu lápis!
Bartolomeu quis saber:
- Vai sair no teste?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas Iscariotes resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?
Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
Tomé questionou:
- Tem uma fórmula para provar que isso está
certo?
Tiago Maior indagou:
- Vai contar para a nota?
Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandalhão à
minha frente!
Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e
pronto?!
Mateus queixou-se:
- Eu não percebi nada! Ninguém percebeu
nada!
Um dos fariseus, que nunca tinha estado
diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está a fazer é uma aula?
- Onde está a sua planificação e a avaliação
diagnóstica?
- Quais são os objetivos gerais e
específicos?
- Quais são as suas estratégias para
recuperação dos conhecimentos prévios?
Caifás emendou:
- Fez uma planificação que inclua os temas
transversais e as actividades integradoras com outras disciplinas?
- E os espaços para incluir os parâmetros
curriculares gerais?
- Elaborou os conteúdos conceituais,
processuais e atitudinais?
Pilatos, sentado lá no fundo, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira,
segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos seus discípulos para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino de qualidade.
- Nem pensar em números e estatísticas que
coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
- E veja lá se não vai reprovar alguém!
E foi neste momento que Jesus
disse:

"Senhor, porque Me abandonaste?..."