Em A peste escarlate o escritor Jack London (1876-1916) quase a terminar escreve: "Pelo fogo e pelo sangue uma nova civilização se formará para um dia desaparecer também como a antiga. Talvez sejam precisos, para atingir o seu apogeu, vinte mil, quarenta mil, cinquenta mil anos. só ficará a força e a matéria cósmica, sempre actuantes, sempre antagonistas. Os três tipos eternos do domínio, o padre, o soldado, o rei, reaparecerão por si mesmos. A sabedoria dos tempos passados, que será a dos tempos vindouros saiu da boca destes garotos: uns combaterão, outros governarão e ainda alguns hão-de rezar. As massas sofrerão labutando como antigamente. E sobre a quantidade enorme de carcaças sangrentas, crescerá sempre a extraordinária beleza da civilização. Ainda que eu destruísse todos oss livros da gruta, o resultado seria igual. A história do mundo não deixaria por isso de retomar o seu curso eterno! As verdades antigas serão descobertas, as velhas mentiras, sempre tão pertinazes, aviltaram os mortais".
Ler estas palavras de um escritor/criador/pensador pouco convencional e aventureiro é constactar que o mundo e a vida em nada dependem de nós. Aquilo que existe e é, resulta de uma transformação que pouco ou nada tem a ver com a nossa vontade. Acontece e pronto. Nós somos apenas espectadores de um teatro contínuo que se inova e renova sem que nada se altere. apenas a nossos olhos, ou olhado na perspectiva histórica a mudança parece acontecer.
Acabei de ler este belo livro de Tolentino de Mendonça que poderia também ser intitulado de Teologia do Corpo. Começo pela impressão da capa: sereno, um humano parece caminhar envolto nos quatro elementos; ar, terra, água e o fogo que o sol simboliza. O combate entre a sombra das nuvens que o sol rompe de quando em quando, é a principal marca de toda a existência. Apesar de tudo o indivíduo caminha sereno na assunção de que por si só não poderá alterar o ritmo cósmico.

Miguel Ângelo (1475-1564) é um dos mais dotados artistas plásticos de todos os tempos. Criou situações, representou a Beleza do mundo como muito poucos o conseguiram fazer, humanizou a religião judaico-cristã. 