sábado, 15 de novembro de 2014

consitente/inconsistente


Em A peste escarlate o escritor Jack London (1876-1916) quase a terminar escreve: "Pelo fogo e pelo sangue uma nova civilização se formará para um dia desaparecer também como a antiga. Talvez sejam precisos, para atingir o seu apogeu, vinte mil, quarenta mil, cinquenta mil anos. só ficará a força e a matéria cósmica, sempre actuantes, sempre antagonistas. Os três tipos eternos do domínio, o padre, o soldado, o rei, reaparecerão por si mesmos. A sabedoria dos tempos passados, que será a dos tempos vindouros saiu da boca destes garotos: uns combaterão, outros governarão e ainda alguns hão-de rezar. As massas sofrerão labutando como antigamente. E sobre a quantidade enorme de carcaças sangrentas, crescerá sempre a extraordinária beleza da civilização. Ainda que eu destruísse todos oss livros da gruta, o resultado seria igual. A história do mundo não deixaria por isso de retomar o seu curso eterno! As verdades antigas serão descobertas, as velhas mentiras, sempre tão pertinazes, aviltaram os mortais".
Ler estas palavras de um escritor/criador/pensador pouco convencional e aventureiro é constactar que o mundo e a vida em nada dependem de nós. Aquilo que existe e é, resulta de uma transformação que pouco ou nada tem a ver com a nossa vontade. Acontece e pronto. Nós somos apenas espectadores de um teatro contínuo que se inova e renova sem que nada se altere. apenas a nossos olhos, ou olhado na perspectiva histórica a mudança parece acontecer.

sábado, 25 de outubro de 2014

Impressões

 Acabei de ler este belo livro de Tolentino de Mendonça que poderia também ser intitulado de Teologia do Corpo. Começo pela impressão da capa: sereno, um humano parece caminhar envolto nos quatro elementos; ar, terra, água e o fogo que o sol simboliza. O combate entre a sombra das nuvens que o sol rompe de quando em quando, é a principal marca de toda a existência. Apesar de tudo o indivíduo caminha sereno na assunção de que por si só não poderá alterar o ritmo cósmico.
No texto aparece uma teologia do corpo bem fundamentada nas imensas citações bíblicas em que se suporta. É necessário reabilitar o prazer dos sentidos e considera-lo, lado a lado, com os momentos de interioridade necessários para descobrirmos Deus em nós. 
O novo anúncio é de inclusão, do espírito e do corpo e não de submissão e retracção do segundo em relação ao primeiro. A novidade, contudo, é que o novo anúncio afinal coincide com o essencial da mensagem do Evangelho. E aqueles que os leem parece não o ter entendido, mesmo que já o santo e místico Bernardo de Claraval (1090-1153) tenha relembrado, há quase mil anos, que por o amor ser carnal, para se perceber em toda a sua dimensão, é necessário que comece na carne. Agora, Tolentino, relembra o mesmo e acompanha essa minoria que prega a inclusão do espírito e do corpo, colocando-os lado a lado na realização do tempo anunciado.      

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

mais um poema de António Franco Alexandre




O Teu Amor, Bem Sei

o teu amor, bem sei, é uma palavra musical,
espalha-se por todos nós com a mesma ignorância,
o mesmo ar alheio com que fazes girar, suponho, os epiciclos;
ergues os ombros e dizes, hoje, amanhã, nunca mais,
surpreende o vigor, a plenitude
das coxas masculinas, habituadas ao cansaço,
separamo-nos, à procura de sinais mais fixos,
e o circuito das chamas recomeça.

é um país subtil, o olho franco das mulheres,
há nos passeios garrafas com leite apenas cinzento,
os teus pais disseram: o melhor de tudo é ser engenheiro,
morrer de casaco, com todas as pirâmides acesas,
viajar de navio de buenos aires a montevideu.
esta é a viagem que não faremos nunca, soltos
na minuciosa tarde dos lábios,
ágil pobreza.

permanentemente floresce o horizonte em colinas,
os animais olham por dentro, cheios de vazio,
como um ladrão de pouca perícia a luz
desfaz devagarmente os corpos.
ele exclama: quando me libertarás da tosca voz dormida,
para que seja
alto e altivo o coração da coisas? até quando aguardarei,
no harmonioso beliche, que a tua visão cesse?

António Franco Alexandre, in 'As Moradas 1 & 2'

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A PEREGRINAÇÃO DO MAL



UM TEXTO PARA LER  E MEDITAR, QUE ME CHEGOU DO AMIGO M ALTE DA VEIGA 
27 de janeiro – Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto
 
Vale a pena ler e interiorizar este texto, numa altura em que a dita esquerda, pouco inteligente, leviana, ignorante, possidónia e cheia de meninos “bem” muito revolucionários, se apressa a prostestar, um pouco por todo o mundo ocidental, levando a mal que Israel tenha o descaramento de defender o seu país, mesmo e quando atacado por vizinhos declaradamente interessados na sua aniquilação, para usar um termo muito caro a Adolf Hitler.
 VIDA EUROPEIA
 Interessante os pontos de vista controversos que podemos colectar mundo fora sobre um mesmo assunto.
 O seguinte artigo publicado em Espanha, em 2008, foi escrito por um não-judeu.
Nunca veremos este género de artigo na nossa imprensa. Ele ofenderia muitas pessoas. Foi escrito pelo escritor espanhol Sebastian Vilar Rodriguez e publicado num jornal espanhol, em 15 de Janeiro de 2008.
Não é preciso muita imaginação para extrapolar a mensagem ao resto da Europa e possivelmente ao resto do mundo.
 
TODA A VIDA EUROPEIA MORREU EM AUSCHWITZ
Por Sebastian Vilar Rodriguez


Desci uma rua em Barcelona, e descobri repentinamente uma verdade terrível. A Europa morreu em Auschwitz. Matámos seis milhões de Judeus e substituímo-los por 20 milhões de muçulmanos. 


Em Auschwitz queimámos uma cultura, pensamento, criatividade, e talento. 


Destruímos o povo escolhido, verdadeiramente escolhido, porque era um povo grande e maravilhoso que mudara o mundo. 


A contribuição deste povo sente-se em todas as áreas da vida: ciência, arte, comércio internacional, e acima de tudo, como a consciência do mundo. Este é o povo que queimámos. 


E debaixo de uma pretensa tolerância, e porque queríamos provar a nós mesmos que estávamos curados da doença do racismo, abrimos as nossas portas a 20 milhões de muçulmanos que nos trouxeram estupidez e ignorância, extremismo religioso e falta de tolerância, crime e pobreza, devido ao pouco desejo de trabalhar e de sustentar as suas famílias com orgulho. 


Eles fizeram explodir os nossos comboios, transformaram as nossas lindas cidades espanholas, num terceiro mundo, afogando-as em sujeira e crime. 


Fechados nos seus apartamentos que eles recebem, gratuitamente, do governo, eles planeiam o assassinato e a destruição dos seus ingénuos hospedeiros. 


E assim, na nossa miséria, trocamos a cultura por ódio fanático, a habilidade criativa, por habilidade destrutiva, a inteligência por subdesenvolvimento e superstição. 


Trocamos a procura de paz dos judeus da Europa e o seu talento, para um futuro melhor para os seus filhos, a sua determinação, o seu  apego à vida porque a vida é santa, por aqueles que prosseguem na morte, um povo consumido pelo desejo de morte para eles e para os outros, para os nossos filhos e para os deles.


Que terrível erro cometido pela miserável Europa. 


O total da população islâmica (ou muçulmana) é de, aproximadamente, 1 200 000 000, isto é um bilhão e duzentos milhões  ou seja 20% da população mundial. Eles receberam os seguintes Prémios Nobel: 
 
Literatura
1988 Najib Mahfooz


Paz

1978 Mohamed Anwar El-Sadat

1990 Elias James Corey

1994 Yaser Arafat

1999 Ahmed Zewai


Economia

(ninguém)


Física

(ninguém)


Medicina

1960 Peter Brian Medawar

1998 Ferid Mourad


TOTAL: 7 (sete)


O total da população de Judeus é, aproximadamente, 14 000 000, isto é, catorze milhões, ou seja, cerca de 0,02% da população mundial.
 
Os judeus receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura

1910 - Paul Heyse

1927 - Henri Bergson

1958 - Boris Pasternak

1966 - Shmuel Yosef Agnon

1966 - Nelly Sachs

1976 - Saul Bellow

1978 - Isaac Bashevis Singer

1981 - Elias Canetti

1987 - Joseph Brodsky

1991 - Nadine Gordimer World


Paz

1911 - Alfred Fried

1911 - Tobias Michael Carel Asser

1968 - Rene Cassin

1973 - Henry Kissinger

1978 - Menachem Begin

1986 - Elie Wiesel

1994 - Shimon Peres

1994 - Yitzhak Rabin


Física

1905 - Adolph Von Baeyer

1906 - Henri Moissan

1907 - Albert Abraham Michelson

1908 - Gabriel Lippmann

1910 - Otto Wallach

1915 - Richard Willstaetter

1918 - Fritz Haber

1921 - Albert Einstein

1922 - Niels Bohr

1925 - James Franck

1925 - Gustav Hertz

1943 - Gustav Stern

1943 - George Charles de Hevesy

1944 - Isidor Issac Rabi

1952 - Felix Bloch

1954 - Max Born

1958 - Igor Tamm

1959 - Emilio Segre

1960 - Donald A. Glaser

1961 - Robert Hofstadter

1961 - Melvin Calvin

1962 - Lev Davidovich Landau

1962 - Max Ferdinand Perutz

1965 - Richard Phillips Feynman

1965 - Julian Schwinger

1969 - Murray Gell-Mann

1971 - Dennis Gabor

1972 - William Howard Stein

1973 - Brian David Josephson

1975 - Benjamin Mottleson

1976 - Burton Richter

1977 - Ilya Prigogine

1978 - Arno Allan Penzias

1978 - Peter L Kapitza

1979 - Stephen Weinberg

1979 - Sheldon Glashow

1979 - Herbert Charles Brown

1980 - Paul Berg

1980 - Walter Gilbert

1981 - Roald Hoffmann

1982 - Aaron Klug

1985 - Albert A. Hauptman

1985 - Jerome Karle

1986 - Dudley R. Herschbach

1988 - Robert Huber

1988 - Leon Lederman

1988 - Melvin Schwartz

1988 - Jack Steinberger

1989 - Sidney Altman

1990 - Jerome Friedman

1992 - Rudolph Marcus

1995 - Martin Perl

2000 - Alan J.. Heeger


Economia

1970 - Paul Anthony Samuelson

1971 - Simon Kuznets

1972 - Kenneth Joseph Arrow

1975 - Leonid Kantorovich

1976 - Milton Friedman

1978 - Herbert A. Simon

1980 - Lawrence Robert Klein

1985 - Franco Modigliani

1987 - Robert M. Solow

1990 - Harry Markowitz

1990 - Merton Miller

1992 - Gary Becker

1993 - Robert Fogel


Medicina

1908 - Elie Metchnikoff

1908 - Paul Erlich

1914 - Robert Barany

1922 - Otto Meyerhof

1930 - Karl Landsteiner

1931 - Otto Warburg

1936 - Otto Loewi

1944 - Joseph Erlanger

1944 - Herbert Spencer Gasser

1945 - Ernst Boris Chain

1946 - Hermann Joseph Muller

1950 - Tadeus Reichstein

1952 - Selman Abraham Waksman

1953 - Hans Krebs

1953 - Fritz Albert Lipmann

1958 - Joshua Lederberg

1959 - Arthur Kornberg

1964 - Konrad Bloch

1965 - Francois Jacob

1965 - Andre Lwoff

1967 - George Wald

1968 - Marshall W. Nirenberg

1969 - Salvador Luria

1970 - Julius Axelrod

1970 - Sir Bernard Katz

1972 - Gerald Maurice Edelman

1975 - Howard Martin Temin

1976 - Baruch S. Blumberg

1977 - Roselyn Sussman Yalow

1978 - Daniel Nathans

1980 - Baruj Benacerraf

1984 - Cesar Milstein

1985 - Michael Stuart Brown

1985 - Joseph L. Goldstein

1986 - Stanley Cohen [& Rita Levi-Montalcini]

1988 - Gertrude Elion

1989 - Harold Varmus

1991 - Erwin Neher

1991 - Bert Sakmann

1993 - Richard J. Roberts

1993 - Phillip Sharp

1994 - Alfred Gilman

1995 - Edward B. Lewis

1996- Lu RoseIacovino


TOTAL: 128 (cento e vinte e oito)
 
Os judeus não estão a promover lavagens cerebrais a crianças em campos de treino militar, ensinando-os a fazerem-se explodir e causar um máximo de mortes a judeus e a outros não muçulmanos. 

Os judeus não tomam  aviões, nem matam atletas nos Jogos Olímpicos, nem se fazem explodir em restaurantes alemães. 

Não há um único judeu que tenha destruído uma igreja. NÃO há um único judeu que proteste matando pessoas. 

Os judeus não traficam escravos, não têm líderes a clamar pela Jihad Islâmica e morte a todos os infiéis. Talvez os muçulmanos do mundo devessem considerar investir mais numa educação modelo e menos em queixarem-se dos judeus  por todos os seus problemas. 

Os muçulmanos deviam perguntar o que poderiam fazer  pela humanidade antes de pedir que a humanidade os respeite. 

Independentemente dos seus sentimentos sobre a crise entre Israel e os seus vizinhos palestinianos  e árabes, mesmo que creiamos que há mais culpas na parte de Israel, as duas frases que se seguem realmente dizem tudo: 

"Se os árabes depusessem hoje as suas armas não haveria mais violência. Se os judeus depusessem hoje as suas armas  não haveria mais Israel." (Benjamin Netanyahu) 

Por uma questão histórica, quando o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General Dwight Eisenhower, encontrou todas as vítimas mortas nos campos de concentração nazista, mandou que as pessoas ao visitarem esses  campos de morte, tirassem todas as fotografias possíveis, e para os alemães das aldeias próximas serem levados através dos campos e que enterrassem os mortos. Ele fez isto porque disse de viva voz o seguinte: 

"Gravem isto tudo hoje. Obtenham os filmes, arranjem as testemunhas, porque poderá haver algum malandro lá em baixo, na estrada da história, que se levante e diga que isto nunca aconteceu." 
Recentemente, no Reino Unido, debateu-se a intenção de remover  o holocausto do curriculum das suas escolas, porque era uma ofensa para a população  muçulmana, a qual diz que isto nunca aconteceu. Até agora ainda não foi retirado do curriculum. Contudo é uma demonstração do grande receio que está a preocupar o mundo e a facilidade com que as nações o estão a aceitar. 


Já passaram mais de sessenta anos depois da Segunda Guerra Mundial na Europa ter terminado. 

O conteúdo deste mail está a ser enviado como uma cadeia em memória dos 6 milhões de judeus, dos 20 milhões de russos, dos 10 milhões de cristãos e dos 1 900 padres Católicos que foram assassinados, violados, queimados, que morreram de fome, foram  espancados, e humilhados enquanto o povo alemão olhava para o outro lado.

Agora, mais do que nunca, com o Irão entre outros, reclamando que o Holocausto é um mito, é imperativo assegurar-se de que o mundo nunca esquecerá isso.


É intenção deste mail que chegue a 400 milhões de pessoas. Que seja um elo na cadeia-memorial e ajude a distribuí-lo pelo mundo. 


Depois do ataque ao World Trade Center, quantos anos passarão antes que se diga: NUNCA ACONTECEU, porque isso pode ofender alguns muçulmanos nos Estados Unidos ???
 
  
"O exemplo convence-nos mais do que as palavras.                                                            
Nada é tão contagioso como o exemplo."

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Da desobediência civil

 Muitos hoje em dia proclamam a desobediência civil contra o Estado por acharem - o que em parte têm razão - que o Estado governa contra os interesses do povo.
Quem quiser saber o que realmente significa a desobediência civil que leia o livro da imagem e logo a abrir tem que "o melhor governo é o que menos governa", mas só quando os "homens estiverem devidamente preparados, terão esse governo. o governo não deve ser mais do que um expediente; mas, geralmente, os governos não têm expediente nenhum". Os governos  governam à força para o cidadão médio e não para aqueles que supostamente são capazes e podem decidir por si mesmos. Os governos alimentam-se da mediocridade, da sujeição e da inveja dos indivíduos. Os governos cobram a uns e distribuem a outros. Apenas existem porque os indivíduos se recusam a viver a humanidade que é comum a todos, mas que nem todos parecem ter capacidade de a reconhecer.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Da Beleza de Deus e dos homens

 Miguel Ângelo (1475-1564) é um dos mais dotados artistas plásticos de todos os tempos. Criou situações, representou a Beleza do mundo como muito poucos o conseguiram fazer, humanizou a religião judaico-cristã.
Representa a graciosidade da vida e a vontade de viver, não foge ao decaimento mas prefere fixar a juventude. Dá um rosto humano às personagens bíblicas e um rosto divino aos indivíduos mundanos. Assim aproxima as criaturas do Criador numa intimidade até então e daí para cá, pouco comum a quem aborda esta temática. 


quarta-feira, 9 de julho de 2014

 O Encoberto, Lima de Freitas
E eis que de novo, em 2014, na ressaca da pior recessão portuguesa dos últimos cem anos, os messiânicos voltaram. Estes não estão encobertos, toda a gente os conhece desde a revolução de abril de 1974. Foram nados e criados na política: um dá por nome Costa e deu o maior golpe político do século  no seu chefe de fila, o Seguro (se fosse o contrário, o que não se escreveria e diria!, mas este fê-lo em nome da verdade e respondendo a um chamamento transcendental, o que para alguém que não é crente, não deixa de ter piada!); o outro dá por nome de Rio e deixou a segunda Câmara do país com as contas arrumadas, o que já não é mau, mas de obras relevantes, os olhos abrem-se, mas nada vêm, nem do varandim da torre dos clérigos
Quanto a verdadeira obra, o Costa anda há cerca de três décadas de parlamento em parlamento, de ministério em ministério, e o que sabemos da excelência do trabalho em tão altos cargos é zero. Agora na Câmara da capital, a que concorreu impulsionado pelo seu grande amigo e estadista de excelência Sócrates, lá arranjou alguém competente, o sr Salgado que foi fazendo obra, mesmo que pouca, enquanto o Costa recebia as palmas.
Ora já se antevê o que os novos messias vão garantir logo que cheguem ao poder: incompetência e status quo mendigando perdões e compreensão pelo nosso estado de necessidade, os privilegiados continuam como estão, o povo com as migalhas que lhes são distribuídas e os políticos seus correligionários com uma corte cada vez maior, onde vão trocando de lugar para manter tudo na mesma - pobre e atrasado, gastando nos seus vencimentos e restantes benesses o que cobram em impostos ao povo anónimo que trabalha para os alimentar.
Esta gente já mostrou do que é capaz e de facto a obra não abunda, só um povo pobre e sujeito como o português é que não consegue distinguir a obra de uma vida e a vida de uma obra, e os novos sebastianistas que aí vêm, de obra parca e já longa vida política, prometem muito mas serão um verdadeiro fiasco. Esperem para ver!
 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Real e surreal



Alquié em Philosophie du surréalisme escreve que "O surrealismo afirma a unidade do espírito e do desejo, recusa dissociar o homem, opõe ao mundo uma revolta imanente da totalidade do ser. A razão contrariando o desejo, desqualifica essa unidade, confundindo-a com os objectos com que é preciso lutar". Um sistema totalitário filosoficamente falando (e não politicamente) procura a unidade pela agregação das parcelas, reconhecendo igual dignidade e valor à parte racional do ser humano e à sua parte emotiva, encarando-as como as duas faces da mesma moeda. Uma e outra são indissociáveis e só a habilidade truculenta da razão as confunde e submete ao poder totalitário da organização lógica e descrição racional daquilo com que nos confrontamos.
Afinal toda a matéria do conhecimento nos chega pelos sentidos e é com eles que pomos a razão a trabalhar. A matéria dos sonhos é a realidade percebida sem a tutela da racionalidade. é o ser em presença de si mesmo

segunda-feira, 16 de junho de 2014



 Eis o último apontamento dos Pensamentos filosóficos de Diderot (1713-1784) - trad. portuguesa, ed. 70, 2013, pp. 65-66


"Um homem fora traído pelos seus filhos, pela sua mulher e pelos seus amigos; sócios infiéis tinham-no despojado da sua fortuna, fazendo-o mergulhar na miséria. Invadido de um ócio e de um desprezo profundo pela espécie humana, o homem deixou a sociedade e refugiou-se na solidão de uma caverna. aí, premindo os olhos com os punhos, e meditando uma vingança proporcionada ao seu ressentimento, dizia: 'Os perversos! Que farei para os punir das suas injustiças, e os tornar tão desgraçados como merecem? Ah, se fosse possível imaginar... meter-lhes na cabeça uma grande quimera a que dessem mais importância do que à sua vida, e sobre a qual não pudessem nunca entender-se!...'. Ei-lo que então irrompe da caverna a gritar: 'Deus! Deus!..." Ecos sem conto repetem à sua volta: 'Deus! Deus!' Este nome temível transmite-se de um pólo a outro e é, por toda a parte, escutado com assombro. De começo os homens prosternaram-se, a seguir levantam-se, interrogam-se, disputam, tornam-se azedos, anatematizam-se, odeiam-se, degolam-se uns aos outros, e cumpre-se o voto fatal do misantropo. Pois tal foi no tempo passado, e será no tempo por vir, a história de um ser tão importante como incompreensível".

Ora, descontando o tempo e a ambiência social de então, este é um bom exemplo do que "significa" Deus. Para lá do temor e tremor, de uma quimera para entreter a desgraça, o que é certo é que a ideia de Deus, loucura ou não, impõe-se a todos os homens e em todos os lugares. De uma maneira mais simples e sem tanta preocupação com as religiões instituídas e que abrigam cada um a pensar o que é Deus, apenas quero sublinhar que está interrogação que acompanha a história da humanidade, resulta só e apenas de cada indivíduo se encontrar limitado e ignorante no conhecimento de si e do seu lugar no mundo. O problema de Deus é a afirmação da certeza da finitude e o reconhecimento do imprevisível no quotidiano em que cada um vier a habitar.    

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Saber e Conhecer






Em plena era informação massificada o físico teórico americano e  colaborador de Albert Einstein John Wheeler, falecido em 2008 escreveu que "Vivemos numa ilha rodeados por um mar de ignorância. À medida que cresce a ilha do nosso conhecimento, também cresce a costa da nossa ignorância". Ora nada mais banal. Afinal este reconhecido físico, habituado ao conhecimento conceptual e demonstrativo, diz o mesmo que Sócrates, Aristóteles, os livros sapienciais do antigo e novo testamento, bem como todos os outros de religiões diversas. Diz o mesmo que Rousseau ou os poetas como Yates e Fernando Pessoa. A informação não é conhecimento e este não se revela de forma maciça. Nunca se revelou. É preciso uma predisposição para o adquirir e esse esforço, continua hoje, no tempo da saturação da informação, como na civilização oral de milénios atrás, a captar o interesse de poucos. Mesmo não o sabendo, a sabedoria continua, calma e tranquilamente "sentada à soleira da nossa porta" e nós continuamos a passar-lhe ao lado, descurando a simplicidade que a reveste e emaranhando-nos em fórmulas e preceitos que nos distraem do que mais importa.

sábado, 24 de maio de 2014

Os maus são sempre os outros

 Manuel Laranjeira, escrevia a 26 de junho de 1908: "A desgraça de Portugal são os seus grandes estadistas. foram eles - por isso se chamam estadistas - que nos puseram neste estado.
E, como se vê transparece do desenrolar dos últimos factos políticos, - ça continue...".
Mais de um século passou. A monarquia que agonizava acabou por "transferir" o poder para os republicanos que regozijavam. Os estadistas sucederam-se e com eles as desgraças do país. Nos primeiros tempos, conduziram o povo à pobreza e à bancarrota que desembocou na ditadura do Estado Novo. Finda esta e com o estabelecimento da democracia, os grandes estadistas, desde Mário Soares à actualidade - 40 anos de democracia - levaram Portugal a três bancarrotas, curiosamente sempre pela mão dos estadistas de esquerda - e outros tantos períodos de sacrifício extremo para o povo humilde e desgovernado. Na terceira bancarrota, a actual, pulula a vergonha: os estadistas que nos arruinaram fazem contratos com as estações públicas de televisão para se autoglorificarem, outros, que passaram e passam a sua existência a ocupar as vários cadeiras dos ministérios governativos, saltitam de estação em estação de tv ou rádio, de coluna em coluna de jornais, a criticar o estado a que chegou a nação e aqueles que agora têm que fazer algo para que a ruina possa ser estancada.
Afinal Portugal mantém-se igual ao que sempre foi: entregue as estadistas - anteriormente incompetentes politicamente, mas possuidores de uma profissão, hoje incompetentes na política e sem saberem fazer mais nada - que se perpectuam no poder, arruinando pacatamente o país que lhes garante o estatuto, a riqueza e a "fama". 
E parece que tudo está bem pois todos aplaudem, acham natural e de certa forma tudo toleram, tudo desculpam, tudo aceitam... com um povo assim, promiscuo e pouco exigente, os estadistas hão-de continuar a ser o que vêm sendo há vários séculos: um bando de incompetentes que se servem do povo, sem qualquer ética, moral ou pudor. Afinal, durante todos estes séculos Portugal tem sido tão igual, tão coerente... um povo que vai revezando e aclamando a incompetência de um exército cada vez maior de estadistas incompetentes a troco de sacrifícios e de lutas constantes para poder sobreviver...