Tantas foram as palavras inflamadas, tantos os discursos racionais para, no final, em catorze simples versos, poder agasalhar a alma com a tranquilidade que buscava.
Aqui fica o seu belo poema:Na Mão de Deus
Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração,
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorãncia infantil, despojo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.
Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mão leva no colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,
Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
Antero de Quental
Sem comentários:
Enviar um comentário